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Brincadeiras de rua transformam Yane em 'embaixadora' do pentatlo

Pentatleta diz que atividades na infância ajudaram na sua formação; CBPM adota o 'boca a boca' e olheiros para pinçar talentos

Antonio Kurazumi - especial para o iG |

Qual é o segredo de Yane Marques, uma atleta que pratica natação, esgrima, hipismo, tiro e corrida em alto nível? Boa parte da resposta está na infância da pernambucana, que se desenvolveu para o esporte graças às brincadeiras de rua típicas da infância e se transformou na 'embaixadora' de uma modalidade pouco falada e praticada no Brasil. Cotada para o pódio em Londres, Yane reconhece que as atividades do passado fizeram a diferença na sua formação e compensaram o fato de ter começado tarde no pentatlo moderno, aos 19 anos.

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Brincadeiras de infância ajudam Yane Marques nas provas de esgrima

“Eu brincava de pega-pega, esconde-esconde, futebol, vôlei e até subia em árvore. Apesar de eu ter nascido com habilidade para ser pentatleta, essas atividades refinaram a minha coordenação motora, me ensinaram a correr”, conta o rosto mais conhecido de Afogados da Ingazeira (PE),que recorre a um exemplo prático.

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“Eu desenvolvia o raciocínio tático na brincadeira de barra-bandeira. Você precisa pensar para enganar o adversário, atravessar o campo dele e pegar a bandeira. Funciona assim na esgrima, que é um xadrez em movimento. Eu tenho que fazer que a rival pense que vou tocá-la no braço, por exemplo, quando na verdade quero acertar o pé”, comparou a sexta colocada do ranking da UIPM (União Internacional de Pentatlo Moderno), entidade que rege o esporte.

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Após o surgimento de Yane, a CBPM (Confederação Brasileira de Pentatlo Moderno) construiu centros de treinamento em quatro cidades: Recife (PE), Resende (RJ), Indaiatuba (SP) e no Rio de Janeiro. Atualmente há 230 praticantes no país, mas Yane Marques é uma exceção à regra quando o assunto são competidores de alto rendimento moldados nas ruas, por consequência no interior. A maioria começa fazendo aulas de natação.

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Após infância na rua, Yane desenvolveu habilidades na natação e iniciou a trajetória rumo ao pentatlo





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O programa Pentajovem, desenvolvido nesses quatro CT, é um dos trunfos para popularizar o esporte, já que dá às crianças e aos adultos a chance de praticar uma modalidade, considerada cara, por um baixo custo. O vice-presidente da CBPM, Celso Sasaqui, porém, não esconde que a entidade não dispõe de verba para ir atrás de talentos. “Seria o ideal buscar talentos no interior, onde há crianças com facilidade para todas as atividades motoras, mas nossos recursos são limitados”, admite o dirigente. O pentatlo moderno recebe um dos menores valores da Lei Agnelo Piva: R$ 1,5 milhão por ano. 

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A corrida, prova mais vulnerável da atleta, foi desenvolvida nos dois últimos anos com auxílio da parte biomecânica

“Nós montamos competições de biatlo (corrida e natação), que são as mais difíceis do pentatlo por exigirem aptidão, para pinçar talentos. As outras modalidades (tiro, esgrima e hipismo) dependem da técnica, é mais fácil de se ensinar. Também adotamos o famoso 'boca a boca'”, detalha Sasaqui, sobre a estratégia para descobrir novas “Yanes”.
 
O surgimento e resultados de uma das melhores pentatletas do mundo teve um efeito positivo em Recife. “35% dos praticantes do esporte são do Recife, todos motivados pelos feitos da Yane. O pessoal vê o que ela consegue e acha que tem mais possibilidade de dar certo no esporte”, aponta o dirigente.

Fora da rotina
Para Yane Marques, disputar cinco modalidades em uma só não é um sacrifício tão grande quanto parece, pelo menos para quem olha à distância. “É diferente de você praticar um esporte, cansar, cansar e pronto, acaba. O pentatlo oferece estímulos e sensações diferentes, é positivo porque não enjoa. Eu consigo sair da rotina”, revela a pernambucana.

Após a terceira colocação na final da Copa do Mundo, no último fim de semana, ela se lançou definitivamente no rol das favoritas em Londres, mas para isso precisará melhorar a corrida. “Já medalhei em três campeonatos de esgrima. Mas todo mundo tem um calo e o meu é a corrida. Estou numa ascendente há dois anos, aumentando o volume e a intensidade, e também evolui muito graças a parte biomecânica oferecida pelo COB, que me dá uma boa noção sobre o resultado dos treinamentos”,explica.

“A diferença da sexta para quem chega ao pódio é pequena. Ela tem uma chance de medalha real. Está batendo na trave, mas uma hora a prova encaixa”, aposta o técnico Alexandre França.

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