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Convocação de chinesa naturalizada abre polêmica no tênis de mesa

“Participei de todo o ciclo olímpico, batalhei por anos e agora recebo a notícia que não vou aos Jogos,” disse Jéssica Yamada

Henrique Munhos - especial para o iG | - Atualizada às

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A escolha de Gui Lin para ir a Londres vem causando polêmica no tênis de mesa

A convocação da chinesa naturalizada brasileira Gui Lin para a seleção brasileira de tênis de mesa que irá as Olimpíadas de Londres 2012 provocou muita insatisfação em Jéssica Yamada, sua principal concorrente na briga pela vaga no torneio de equipes.

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“Ainda não entendi essa decisão. Participei de todos os torneios com a seleção nos últimos anos, fiz parte do ciclo olímpico. Penso que isso contaria a meu favor. Deixei de começar uma faculdade para realizar o sonho de ir para uma Olimpíada, batalhei por todos esses anos e agora recebo essa notícia. Estou muito triste,” afirmou Jéssica Yamada em entrevista ao iG.

Veja também: Chinesa naturalizada irá representar o Brasil nos Jogos Olímpicos 

Gui Lin chegou ao Brasil aos 12 anos de idade e, desde então, treina na cidade de São Bernardo do Campo. Contudo, sua naturalização saiu apenas no início de maio. Por essa razão, ela ainda não disputou nenhum torneio representando o Brasil. No ranking mundial, divulgado nesta sexta-feira, a chinesa naturalizada brasileira ocupa o 260º lugar, duas posições à frente de Jéssica.

Técnico de tênis de mesa e pai de Jéssica, Marcos Yamada ficou indignado com a escolha da CBTM (Confederação Brasileira de Tênis de Mesa). “Não tenho nada contra a Gui Lin. Só que ela não fez por merecer. O nível delas é muito parecido. A Gui Lin não disputou nada com a seleção, não pode ganhar uma vaga assim de presente. Isso desmotiva os jovens atletas que sonham em disputar uma Olimpíada. Eles vão pensar que não adianta de nada estar por anos na seleção, já que na ultima hora vão colocar alguém que nunca representou o país,” afirmou.

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O japonês Toshio Takeda, treinador de Jéssica no Itaim Keiko, também discordou da escolha. “Em outros países também se toma atitude semelhantes. Porém, os atletas naturalizados são aqueles que podem trazer medalha para o país. Isso não acontecerá com a Gui Lin em 2012. Por isso acho errado, já que pode se tornar comum nas outras modalidades,” declarou.

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Jéssica Yamada não entendeu ainda porque não foi chamada para compor a seleção brasileira que irá aos Jogos Olímpicos

A mesa-tenista afirmou que uma partida entre as duas seria um bom tira-teima para saber quem está em melhor momento. “Faz uns três anos que eu não enfrento ela. Acho que colocar as duas na mesa seria mais justo para sabe quem está melhor para ir as Olimpíadas,” relatou Jéssica, que também ressaltou que é muito amiga de Gui Lin e que torcerá pela colega em Londres.

Coordenador da seleção defende decisão

O coordenador técnico da seleção, Lincon Yasuda, disse que Gui Lin não chegou agora ao Brasil e que sua convocação foi baseada em diversos critérios. “Quem mais acompanhou o desempenho das atletas nos últimos dois anos fui eu. Além do mais, a Gui Lin só não participou dos campeonatos com a seleção por conta da naturalização não ter saído. Mesmo assim, ela vem fazendo parte do time nos últimos anos. Claro que casa um tem um ponto de vista, mas acredito que eu tenha tomado a melhor decisão,” disse.

Veja também: Chinesa obtém naturalização e pode defender o Brasil em Londres 

Yasuda ainda discordou da ideia de um jogo entre as duas para saber quem está em um melhor momento. “Não se faz uma escolha dessa baseado em apenas um jogo. A Jéssica teve sua chance na mesa e não aproveitou. Ela disputou o Pré-Olímpico e não obteve a classificação. Uma partida não é parâmetro para saber como uma atleta irá se comportar em um campeonato de nível mundial,” relatou.

Técnico de Gui Lin e principal nome do tênis de mesa, Hugo Hoyama também defendeu a chinesa naturalizada brasileira. “É natural a Jéssica ter ficado chateada. Mas a Gui Lin tem uma história aqui. Ela está no Brasil há seis anos e mora sozinha desde então. Por essa razão, digo para ela ficar tranquila, pois não tem culpa de nada. Além disso, dentro da quadra, considero a Gui Lin a melhor atleta brasileira,” contou Hoyama.

Aberto do Brasil poderá provocar mudança

No próximo dia 13, começa o Aberto do Brasil de de tênis de mesa, marcado para Santos. A competição será um teste para Gui Lin, que se recuperou há pouco tempo de uma lesão no tornozelo. “Queremos ver como será o desempenho físico da atleta. Acreditamos que ela já estará próxima do ideal e não teremos problemas,” disse Yasuda, que evitou falar de um possível corte.

Jéssica Yamada, por sua vez, afirmou que ainda não perdeu as esperanças de ir a Londres. “O Lincon me disse que iria ver o desempenho da Gui Lin no Aberto do Brasil e que eu ainda poderia ser convocada. Por isso, vou seguir treinando forte e lutarei enquanto houver chance,” relatou a mesa-tenista.

Leia também: Hoyama diz que trabalho nas escolas irá popularizar o tênis de mesa 

A chinesa naturalizada brasileira afirmou que já treina normalmente há duas semanas e não tem nenhum problema físico. Além disso, disse não querer entrar em polêmica com a companheira. “Estou muito feliz com a chance de representar o Brasil nas Olimpíadas. Sei que a Jéssica irá torcer por mim e acredito que essa situação não irá abalar nossa amizade,” finalizou.

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