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Respeitado, Reis faz exames antidoping a rodo e recebe gringos no Brasil

Resultados do atleta do levantamento de peso deram um novo status à modalidade, tanto que atleta é mais visado por adversários

Antonio Kurazumi - especial para o iG |

Poucos dias antes do Pré-Olímpico da Guatemala, em maio, Fernando Reis foi obrigado a fazer três exames antidoping em apenas uma semana. E não foi por acaso. Desde o ouro nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, em 2011, o atleta elevou o levantamento de peso a um status inédito na história e passou a ser respeitado pelos adversários. Contando com a presença de Jaqueline Ferreira, pela primeira vez o Brasil irá a uma edição das Olimpíadas com dois representantes.

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Ricardo Bufolin/divulgação
Atleta sonha em coroar o trabalho com uma medalha nos Jogos de 2016

“Antigamente chegávamos nos campeonatos e ninguém percebia. Agora tem um pessoal olhando para a gente, todo mundo está esperando que eu vá bem. Existe reconhecimento de outros países, inclusive os de ponta, são os casos da Rússia e do leste europeu. Eles ficam assistindo nossos treinos e veem que estamos chegando perto”, conta o halterofilista de 22 anos, que também recebe os cumprimentos durante as competições de técnicos e rivais.

Leia mais: Confederação define atletas do levantamento de peso para Londres

O reflexo dos bons resultados é que alguns estrangeiros pedem para treinar com Reis, inclusive as velhas amizades dos Estados Unidos. “Tenho muitos amigos de lá da época da Universidade, eles vêm fazer camping por aqui e treinam comigo, mas tem gente do Chile e Equador também”, enumera o atleta da categoria acima de 105 kg, a mais forte do levantamento de peso, que pretende voltar aos EUA para concluir os estudos após competir em Londres.

Confira ainda: Esportes mais 'pobres' comemoram crescimento com verba estatal 

A quantidade de exames antidoping são outro indicativo do crescimento de Reis, que fez três na sequência recentemente – oito ao todo em 2012. “As pessoas da Federação Internacional me falaram que, quanto maior a evolução que eu apresentar, mais testes serão feitos”, revelou o representante do clube Pinheiros, que não se incomoda em se submeter aos exames em um esporte que costuma registrar muitos casos de trapaça. “Levo na boa, eles fazem o trabalho deles e eu faço o meu”, resumiu.

Leia mais sobre os esportes olímpicos: Blog Espírito Olímpico

No ano passado, o halterofilista foi acusado de ter se beneficiado de uma substância proibida num campeonato local, mas a IWF (entidade que organiza o esporte) ignorou os testes feitos no país ianque e inocentou o brasileiro. “O curioso é que nessa mesma temporada participei de uma competição internacional, usei o mesmo suplemento(um derivado da efedrina) e não tive problema nenhum”, recorda Reis, acreditando que pagou um pouco pelo sucesso. “Já morava nos Estados Unidos e tinha vencido os melhores atletas deles”.

Ricardo Bufolin/Divulgação
Fernando Reis é considerado uma das revelações da categoria mais forte do levantamento de peso



Cabeça boa
Segundo Reis, a disputa pelo primeiro lugar no levantamento de peso começa no aquecimento, o backstage conforme ele gosta de dizer. Ser mais visado pelos adversários fez com ele entrasse nessa “guerra psicológica”, onde muitas vezes tudo se decide. “Cada um fica na sua barra e olhando um para o outro. Alguns acabam se prejudicando por se preocupar com o outro. Tento não prestar atenção, manter minha cabeça boa e só penso no objetivo”, afirma o jovem, um dos seguidores da escola russa.

Treinado pelo cubano Luiz Lopes, Reis se prepara de acordo com o modelo adotado no leste europeu. “Por ter uma conexão com a Rússia, ele passa o treinamento executado lá, com variação de exercícios. Cada país tem uma característica, mas eu prefiro a russa. Vamos montando o quebra cabeça para chegar no produto final”, compara o atleta, que se prepara para as Olimpíadas nas instalações do Parque Aquático Maria Lenk, no Rio de Janeiro.

Futuro
A meta do halterofilista nos Jogos Olímpicos é, quem sabe, terminar entre os cinco primeiros, mas o objetivo principal é subir ao pódio no Rio de Janeiro em 2016. A CBLP (Confederação Brasileira de Levantamento de Peso), porém, pede uma verba maior para tirar alguns planos de desenvolvimento do levantamento de peso do papel.

“Contamos com uma parcela anual da Lei Piva da ordem de R$ 1,3 milhão, irrisória para atender um país que tem um compromisso olímpico com um esporte que distribui 15 medalhas. Para o horizonte pretendido para 2016, é insuficiente”, ressaltou o presidente Ricardo Calmon, também mencionando o apoio do COB (Comitê Olímpico Brasileiro) e da Petrobras. Ele acrescenta que há planos para inaugurar novas Federações, o que esbarra na necessidade de mais dinheiro.

Luiz Lopes diz que o pupilo reúne todas as qualidades de um campeão, mas sente a falta de uma estrutura mais adequada. “O Fernando treina uma média de seis vezes por dia, tem disciplina e talento. O problema é que no Brasil ainda não existe uma estrutura estável onde possamos desenvolver um processo de trabalho planificado, por meio das exigências necessárias para cada processo”, comentou.

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