Guerra e política criam equipe de atletas ‘sem nação’ nas Olimpíadas

Desportistas de Curaçao e Sudão do Sul ficam proibidos de representar seus países, mas não deixam de participar dos Jogos

Rodrigo Farah - enviado IG a Londres | - Atualizada às

As Olimpíadas são o ponto máximo na carreira de um atleta. É onde ele pode representar sua nação diante de milhões de pessoas em busca de glória e reconhecimento. Mas e quando o desportista não tem bandeira para defender? Por incrível que pareça, este é o caso de quatro participantes dos Jogos de Londres . Devido a problemas políticos ou de guerra, eles não puderam atuar por seus países e foram obrigados a competir unidos na equipe IOA – sigla em inglês para “Atletas Olímpicos Independentes”.

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Eles chamaram a atenção pela primeira vez na cerimônia de abertura. Um total de 204 países foram representados na festa, mas os atletas “sem nação” deram um show à parte. Além de chocar por entrar no estádio com a bandeira dos arcos olímpicos, eles se destacaram pela festa que fizeram na hora do desfile: fingiram estar correndo, lutando ou velejando para simbolizar as três modalidades que praticam (atletismo, judô e vela).

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Por conta de problemas políticos ou de guerra, quatro atletas não atuam por seus países e formam equipe

“Já que não tínhamos bandeira, queríamos representar o que somos de alguma forma”, explicou o judoca Reginald De Windt em contato com a reportagem do iG. “É uma pena, pois nós quatro gostaríamos de usar nossa bandeira. Mas estamos representando nossos países mesmo assim. O povo está nos acompanhado por lá”, completou.

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O caso do lutador é semelhante ao de dois de seus companheiros - Lee-Marvin Bonevacia (corredor) e Philipine Van Aanholt (velejadora). Os três atletas são da paradisíaca Curaçao, no Caribe, que até 2010 fazia parte das Antilhas Holandesas, mas depois se tornou constituinte do reino dos Países Baixos.

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O COI (Comitê Olímpico Internacional) passou a não mais reconhecer a confederação das Antilhas e queria que eles se classificassem para os Jogos como atletas da Holanda. Mas após insistência dos atletas, a entidade voltou atrás na decisão e permitiu que eles disputassem o torneio por uma equipe “sem nação”.

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Judoca Reginald De Windt é um dos atletas 'sem nação'

“Não acho que o esporte deveria basear suas escolhas pela política. São coisas diferentes e não estão fazendo isso aqui”, disparou De Windt. “Mas isso não me impediu de vir até Londres”, completou De Windt momentos depois de ser eliminado na primeira rodada da disputa até 81 kg em derrota para o russo Ivan Nifontov.

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Já o caso do quarto elemento da equipe IOA é bem diferente. O maratonista Guor Marial é vítima da guerra civil do Sudão do Sul. Ele teve que fugir para os Estados Unidos, onde conseguiu o índice olímpico para disputar a prova, mas sem país para defender. Com isso, se juntou aos parceiros do time “sem nação”.

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A princípio, nenhum deles está na disputa por medalha. Mas vale ressaltar que se um subir no pódio, a bandeira hasteada será a do símbolo olímpico, assim como será tocado o hino oficial das Olimpíadas.

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Esta é a terceira vez na história que atletas “sem nação” participam dos Jogos Olímpicos. Em 2000, representantes do Timor Leste defenderam a equipe IOL, assim como em 1992 o mesmo aconteceu com desportistas da Macedônia. O motivo foi o mesmo em ambas as situações: os países eram muito novos para contar com um comitê esportivo unificado.

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