Em perfil oficial, goleira reserva do handebol brasileiro assume ser bissexual

Reserva de Chana Masson, Mayssa Pessoa já foi madrinha de competição GLBT, mas prefere não comentar o assunto e diz que só pensa na medalha

Marcelo Laguna - enviado iG a Londres | - Atualizada às

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Mayssa sonha com uma medalha

A bela campanha da seleção brasileira feminina de handebol, que conseguiu sua terceira vitória consecutiva nas Olimpíadas de Londres 2012, ao derrotar a Grã-Bretanha por 30 a 17 , no Copper Box, acabou ficando em segundo plano nesta quarta-feira. Parte disso por causa da goleira reserva brasileira, Mayssa Pessoa. Na biografia da jogadora, fornecida pelo sistema oficial de informação do Locog (sigla em inglês para Comitê Organizador Local), aparece uma declaração que Mayssa deu à revista francesa “Tetu”, na qual ela assume sua condição de bissexual.

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“Sou bissexual e não vejo razão para que os atletas homossexuais escondam sua preferência. Após eu ter me revelado, passei a me sentir mais livre, antes toda esta situação acabava afetando a minha personalidade. Minhas companheiras de time diziam ‘Por que você não se assume?’ e agora está tudo bem”, disse Mayssa, em entrevista publicada pela revista Tetu, na edição de maio deste ano.

A transcrição da entrevista consta no perfil oficial da goleira brasileira, que aparece no sistema ao qual os jornalistas credenciados para os Jogos de Londres têm acesso.

Mayssa inclusive participou como madrinha de uma competição poliesportiva LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Travestis), realizada na França e organizada pela Federação esportiva LGBT. O evento ocorre anualmente em paris e reúne cerca de 2.000 atletas.

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Mas a revelação feita pelo site do Locog incomodou um pouco a goleira brasileira. “Sobre a minha vida pessoal, eu não comento”, disse a goleira, logo após a vitória do Brasil. “Acho que comentar a vida pessoal é algo que não tem nada a ver. O meu foco está aqui nas Olimpíadas, o Morten [Soubak, treinador da seleção brasileira] sabe disso e estou aqui para jogar as Olimpíadas, apenas isso. Se quiserem falar comigo sobre fatos relativos à partida, tudo bem”, disse Mayssa aos repórteres brasileiros que a procuraram para falar sobre o assunto.

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Ao ser informada que o próprio sistema de informação oficial dos Jogos havia reproduzido a entrevista, Mayssa ficou sem saber o que responder. Mas confirmou sua presença como madrinha de uma competição LGBT. ‘Gente, eles precisavam de uma atleta brasileira que aceitasse ser madrinha do torneio, tinham atletas de todos os países, não vi problema algum. Mas a condição sexual é algo muito pessoal, prefiro não comentar com vocês”, afirmou.

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Dentro da seleção brasileira, a entrevista de Mayssa Pessoa foi encarada de formas diferentes. “Cada um é livre para falar o que pensa dentro da seleção. Se ela quis abrir sua vida pessoal, tudo bem, foi uma opção dela. O que importa é que tudo isso não está atrapalhando o nosso objetivo, que é o de conquistar uma medalha aqui em Londres”, afirmou a capitã da equipe, Dara. “Não li a entrevista dela e por isso não tenho nada a comentar a respeito do assunto”, afirmou o treinador da seleção, o dinamarquês Morten Soudbak.

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