Pista de atletismo de última geração promete recordes

Pista atlética otimiza tração, absorção de impacto e retorno de energia ao corredor.

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Com o início das provas de atletismo nos Jogos de Londres , nesta sexta-feira, milhões de espectadores testemunharão não apenas a busca por medalhas e recordes, mas também o funcionamento de uma pista de última tecnologia que oferece todas as condições necessárias para um bom desempenho dos corredores.

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Diferentemente de outras pistas de poliuretano, que combinam tração e absorção de impacto em uma capa coberta de grãos de borracha, a pista de Londres - feita pela empresa italiana Mondo - tem uma capa superior, que otimiza a tração e é mais durável, além de uma parte inferior, que tem funções essenciais: amortecimento do impacto e retorno de energia.

Graças à tração e ao material não escorregadio, os atletas perdem menos tempo ao apoiar e retirar a sola de seu sapato no chão. E o material se recupera de forma instantânea, de forma que o atleta recebe novamente parte de sua própria energia.

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A capa superior também é resistente à luz ultravioleta e impermeável. "Para que a água (da chuva) escorra, a pista é ligeiramente inclinada para dentro", disse à BBC Mundo Joe Hoekstra, diretor de projetos da empresa Mondo.

As duas capas da pista são feitas de borracha sintética, com um componente de borracha natural.

"São feitas de borracha vulcanizada, em um processo que intercala a estrutura molecular de diferentes materiais e torna a superfície mais uniforme, forte e elástica", diz Hoekstra.

Recuperação instantânea

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Veja os detalhes da pista do estádio Olímpico de Londres


Se a pista fosse levantada, se veria que a borracha tem, do outro lado, uma estrutura quadriculada, desenhada para ser flexível apenas na direção do corredor (veja no gráfico acima). Mas, a partir de Pequim-2008, a estrutura passou a ter o formato de diamantes.

"A vantagem desse desenho é que suas células são flexíveis em todas as direções, e não apenas para a frente. Assim, formam um colchão ideal, além de prover um material de reação rápida."

O material se recupera de forma instantânea. Em outras palavras, se pressionamos a superfície com o dedo, a recuperação é tão rápida que não se vê nenhuma marca do dedo.

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É assim que o atleta recupera parte de sua própria energia, o que pode melhorar sua performance.

"O material atua como trampolim sob o pé, dando mais retorno energético e ajudando o atleta em sua arrancada", diz Hoekstra.

O tempo de reação é um conceito-chave. Se o atleta corresse sobre um material esponjoso, a absorção do impacto seria alta, mas o material só se recuperaria quando o atleta já tivesse se movido.

Graças ao retorno da energia, a pista também ajuda a encurtar o movimento natural de giro do pé, fazendo com que o contato do pé com a pista seja mais rápido.

"Alguns atletas dizem que a pista não é tão suave quanto outras, mas suavidade nem sempre significa segurança e desempenho", prossegue o diretor de projetos. "Uma superfície que cede demais ao impacto só produz fadiga, como se você estivesse correndo na areia. O que importa é o retorno de energia."

Energia

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Qualidade das travas nas sapatilhas dos atletas também influencia o desempenho


As propriedades da pista só podem ser entendidas quando se leva em conta a outra face da moeda: o número, a qualidade e a longitude dos cravos dos calçados dos atletas. Esses cravos, ao concentrar o peso do atleta, comprimem mais a superfície, aumentando o retorno da energia.

O atleta escolhe o tipo de cravo de acordo com seu peso e com o evento. O cravo concentra o peso do competidor e comprime a pista de atletismo.

Desde os anos 1990, cravos mais leves, de cerâmica, substituíram os de aço.

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"Desenhamos cravos que comprimem a pista, e essa energia de compressão volta ao atleta em vez de ser absorvida pela pista", explica David Grant, presidente da Omni-Lite, empresa que fabrica esses cravos.

A tecnologia continuou evoluindo, e desde a Olimpíada de Pequim esses cravos especializados para competições olímpicas são feitos de nanomateriais, "mais fortes do que os originais de cerâmica".

Simulações de impacto

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A pista foi planejada de modo a diminuir ao máximo o impacto


A pista Mondo do Estádio Olímpico de Londres foi verificada pelo Labosport, um dos laboratórios credenciados da Federação Internacional de Atletismo (IAAF) para fazer simulações mecânicas de impacto do pé do corredor sobre a pista.

Ao estabelecer os padrões, "a IAAF quer ter certeza, em primeiro lugar, que um novo recorde obtido em Londres seja tão válido quanto um feito em Pequim ou Sydney", disse Alastair Cox, diretor do laboratório na Grã-Bretanha.

Em segundo lugar, diz ele, "é preciso assegurar-se de que a superfície seja adequada para todos os esportes praticados no estádio" - desde as provas de 100m rasos até as de 10 mil metros.

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Outra preocupação é a fricção. "Temos que garantir que a pista não seja muito escorregadia quando molhada, mas também que a fricção não seja tamanha que haja muita aderência", diz Cox.

Segundo Hoekstra, é essencial que os atletas testem as pistas.

"Eles devem escolher o número e a longitude de seus cravos em relação, por exemplo, a seu peso corporal, às condições do dia (mais tração se a pista estiver molhada) e ao tipo do evento (em geral, eventos como o lançamento de disco requerem mais tração e, portanto, mais cravos; corredores de longa distância maximizam o amortecimento com cravos mais curtos)."

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