Adriana diz que foi humilhada e ataca presidente da confederação de boxe

Dirigente Mauro Silva, por sua vez, rebateu ao iG as acusações de Adriana Araújo e do técnico Luiz Dórea

João Pontes e Rodrigo Farah - em São Paulo e Londres | - Atualizada às

Reuters
Adriana conquistou a medalha de bronze e acabou com um longo jejum de medalhas do Brasil no esporte

A primeira medalha olímpica do Brasil no boxe em 44 anos não foi motivo de grande festa e comemoração para Adriana Araújo. Logo após a derrota na semifinal para a russa Sofya Ochigava, a baiana disparou contra o presidente da Confederação Brasileira de Boxe, Mauro Silva. Adriana disse ter sido humilhada por ele antes das Olimpíadas. Em contato com a reportagem do iG, o dirigente negou as acusações e citou interesses políticos no discurso da atleta.

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“Essa medalha é para calar a boca dele. Ele tentou me tirar da seleção, disse que eu não me classificaria e que não tinha condições de estar aqui. Mas vim e conquistei a medalha de bronze. Ele precisa aprender a valorizar os atletas do Brasil”, atacou a atleta, que foi rebatida pelo presidente.

“Ela está aqui porque eu acreditei nela. Como é que ela disputaria os Jogos se eu não acreditasse? Isso nem passou pela nossa cabeça. A Adriana representou o Brasil de maneira maravilhosa dentro do ringue e nada vai tirar o brilho dessa conquista, mas ela fez comentários infelizes. Temos eleições em janeiro e acredito que possam existir interesses políticos por trás desses comentários”, declarou Mauro Silva ao iG.

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O motivo da polêmica seria uma rusga entre o treinador Luiz Dórea e o dirigente. Responsável pela preparação da maioria dos atletas da seleção, inclusive de Adriana, o principal técnico de boxe do país tem um relacionamento conturbado com Mauro Silva.

Rodrigo Farah
Luís Dórea é treinador de Junior Cigano

Também responsável pela preparação do campeão dos pesados do UFC Junior Cigano, Luiz Dórea acusou o presidente de boicotar o campeão mundial dos Jogos Militares, Pedro Lima, da seleção brasileira. E fez um apelo para que o dirigente não seja reeleito em janeiro de 2013.

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“Passamos uma dificuldade muito grande por causa desse rapaz. Ele caiu de paraquedas no boxe. Após virar presidente, ele se transformou em outra pessoa e enganou todo mundo. Ele maltrata os atletas e criou uma ditadura na confederação. Ele queria colocar a Adriana para fora. Ele não respeita ninguém e boicota os lutadores baianos”, disparou Dórea ao iG.

Adriana chegou a reclamar abertamente que teria sido obrigada a treinar em São Paulo e a não fazer a preparação na academia do técnico, em Salvador. O presidente Mauro Silva elogiou o centro de treinamento paulista, mas negou o ocorrido.

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“Precisamos de mais valorização desse cara, mas tomara que essa medalha sirva para calar a boca dele. O povo brasileiro precisa saber das coisas horríveis que ele já disse para mim. Mas nunca dei atenção, pois acreditava no meu potencial. Ele já me humilhou muito, mas não caí de paraquedas no boxe”, completou a lutadora.

Em contato com o iG, Servílio de Oliveira, primeiro medalhista brasileiro em Olimpíadas, também criticou Mauro Silva e citou outro caso de boicote do presidente da confederação.

"O presidente age de forma arbitrária. O Rafael Lima (lutador paraense, medalha de bronze do peso pesado no Pan de 2007) é um cara líder, que costuma orientar os outros atletas e não aceita alguma condições impostas pelo Mauro. Por retaliação, ele foi cortado do Pré-Olímpico. O Rafael simplesmente foi tirado do caminho", explicou Servílio.

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