Cena com homem caindo de bêbado no clipe da Rio 2016 causa polêmica

Para diretor do vídeo encomendado pela Prefeitura do Rio, trecho não denigre a imagem da capital fluminense no exterior. Comente no final

Anderson Dezan , iG Rio de Janeiro |

Criado para apresentar a canção-tema das Olimpíadas de 2016, o clipe “Os Grandes Deuses do Olimpo visitam o Rio de Janeiro” tem causado polêmica nas redes sociais. Além de não fazer referência a qualquer esporte olímpico ou mesmo às transformações que a cidade está vivendo, um trecho do vídeo lançado na segunda-feira mostra um homem caindo no chão nas proximidades da Central do Brasil com um copo de cerveja na mão, como se estivesse bêbado.

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O personagem é interpretado pelo artista plástico Ernesto Neto, uma das celebridades convidadas a dar vida a alguns deuses da mitologia grega no clipe. Ele, no caso, interpretou Dionísio, divindade do vinho, daí viria a lógica de sugerir a embriaguez. Entre os outros famosos que aparecem no vídeo estão Rodrigo Santoro, como Apolo, o deus do sol, e Carolina Dieckmann, como Afrodite, a deusa do amor.

Reprodução
O artista plástico Ernesto Netto interpreta o deus Dionísio no clipe oficial das Olimpíadas Rio 2016

Na internet, a cena gera protestos. “Um vídeo que só fala de festa e com um cara bebendo e caindo não é uma boa imagem para ninguém. Esse vídeo também deveria mostrar as pessoas trabalhando”, lamentou a internauta Luana Ramos da Costa Bravo, no iG. “O foco deveria ser as Olimpíadas e não aumentar a divulgação da imagem que o estrangeiro tem do Rio: uma cidade da gandaia, bebedeira e favela”, protestou outro internauta, Herson de Souza.

Encomendado pela Prefeitura do Rio de Janeiro, o clipe foi dirigido por Estevão Ciavatta, da Pindorama Filmes. Para ele, a polêmica é desnecessária já que a cena não denigre a cidade no exterior.

“É uma coisa teatral, o Ernesto estava representando um deus. O que é ruim para a imagem do Rio são os mendigos e a falta de educação e saúde no Brasil que faz com que o País fique em 22º nas Olimpíadas. Não é uma pessoa beber cerveja”, alfinetou, citando a posição que o Brasil ficou no quadro de medalhas nos Jogos de Londres.

Entre as críticas feitas à cena está o fato de mostrar bebida alcoólica em vídeo feito para exaltar a chegada de uma competição de práticas esportivas, geralmente associadas à saúde. Ciavatta ressaltou, no entanto, que o vídeo não é institucional e, sim, artístico.

“O trecho em questão é muito pequeno. O clipe tem outros valores passados que são tão fortes quanto. Para mim, é um clipe da alma carioca. Encarei dessa maneira. Não estou encarando como um convite ao esporte. E, sim, um convite à cidade aos deuses do Olimpo”, argumentou o diretor, marido da atriz Regina Casé, que também participa do clipe.

Procurada pela reportagem, a Prefeitura do Rio de Janeiro não se manifestou sobre o assunto. Pasta responsável pelo vídeo, a Secretaria Municipal da Casa Civil não informou como será a estratégia de divulgação e nem quanto foi gasto na produção.

A polêmica com o trecho do deus grego embriagado não foi a primeira envolvendo o clipe oficial que marca o início da contagem regressiva para as Olimpíadas Rio 2016. Torcidas do Fluminense e Botafogo ficaram indignadas com o fato de aparecerem apenas Flamengo e Vasco no vídeo. Entre as escolas de samba, só Portela e Vila Isabel foram prestigiadas, gerando reclamações de outras agremiações do carnaval carioca.

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